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Micelial - Raízes em Conexão

Sopros em Pedra nos Açúce da Memória / PARAÍBA

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Sopros em Pedra nos Açude da Memória

 

O trajeto de pesquisa para o espetáculo de Jô Pereira teve como recorte sua ancestralidade materna e paterna, no estado da Paraíba, majoritariamente planejado para as cidades de Pilões e Arara. estivemos nesta rota entre 19 e 27/03/22.

Havia muitos anos que não voltavam, nem ela, nem seus pais, de forma que suas lembranças eram alimentadas pelas deles, que já estavam muito distantes da realidade em 2022.

Assim, tirando as pistas concretas da família que ainda estava na região, tudo seria artimanha do destino. Ele foi generoso!

Meio que sem querer, encontramos o Engenho onde os parentes trabalhavam na juventude. Ele estava sendo anunciado como um futuro loteamento/ condomínio, e a “casa grande” e o engenho de cana seriam mantidos como área de lazer. Um pouco mais de tempo e já não seria o mesmo território...

 

No jogo dos encontros, descobrimos, aleatoriamente, um primo em segundo grau do Pai de Jô que estava ali, num pequeno comércio em frente ao loteamento. A partir daí abriu-se o campo para encontrar locais antes visitados na adolescência e desvelar memórias.

 

Passamos pelas cidades de Pilões/Engenho Santa Fé, Arara, Pirauá/Natuba, João Pessoa e Areia, no litoral e brejo da Paraíba e Macaparana/PE. Também demos uma passadinha em Campina Grande/PB e, fomos surpreendidos por um bloco carnavalesco, o Bloco das Ciganas, de Timbaúba/PE, o que nos rendeu algumas horas de parada por lá.

 

Centralizamos nossa hospedagem na cidade de Areia, eu ficava equidistante dos locais que tínhamos na rota. Uma cidade Turística muito graciosa. Visitamos parentes, territórios outrora frequentados ou habitados por seus pais, o Tio Dudu, sanfoneiro de primeira, famoso na região e mergulhamos um pouco nos seus modos de viver.

 

Finalizamos nossa viagem na cidade de João Pessoa, onde Jô exerceu seu lado cicloativista pela orla e reencontrou com o mar de significado familiar para si.  Uma viagem com muitos encontros significativos para todos nós e muito intenso para Jô Pereira!

Vestígios Ancestrais

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Sopros em Pedra nos Açudes da Memória nasce de uma caminhada pelas terras paraibanas onde viveram meus ancestrais.

 

Entre o Brejo e o Sertão, fui encontrando pedras, açudes, engenhos, cemitérios, caminhos, músicas e histórias. Algumas estavam inteiras. Outras chegavam pela metade, entre silêncios, esquecimentos e versões que tentavam suavizar aquilo que doía.

 

Fui atrás de nomes e documentos, mas encontrei outra coisa: um arquivo vivo no corpo. As histórias de mulheres negras escravizadas, de crianças separadas de suas mães, da violência que atravessou gerações e da minha bisavó, vítima de rapto e estupro, me fizeram perceber que pesquisar uma família também é escutar aquilo que ela não conseguiu dizer.

No antigo moinho onde meu avô trabalhou, dancei. 

 

Dancei sobre um chão marcado pelo trabalho, pela exploração e pela memória. A dança tornou-se uma maneira de tocar o que os documentos não contam, de devolver movimento ao que ficou parado no tempo.

 

Vieram as pedras de Lajedo, o vento, as fogueiras de São José, os doze quilômetros de caminhada, o cemitério, as histórias de tio Dudu e tia Zefinha, a sanfona e as borboletas amarelas.

 

E fui entendendo que memória não está somente nos arquivos.

 

Está na paisagem.

 

Na música.

 

Nos gestos.

 

No silêncio.

 

No corpo.

 

Sopros em Pedra nos Açudes da Memória é uma pesquisa artística sobre ancestralidade, memória e pertencimento. Uma caminhada entre o que foi dito e o que ficou escondido. Entre a dor e a celebração.

 

Entre o passado e aquilo que ainda vive em nós.

 

Não encontrei todas as respostas.

 

Encontrei perguntas que respiram.

 

E talvez seja aí que a criação começa:

 

quando a pedra sopra,

 

a memória se move

 

e o corpo escuta.

​

Por, Jô Pereira

pela rota

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O trajeto de pesquisa para o espetáculo de Jô Pereira teve como recorte sua ancestralidade materna e paterna, no estado da Paraíba, majoritariamente planejado para as cidades de Pilões e Arara. estivemos nesta rota entre 19 e 27/03/22.

 

Havia muitos anos que não voltavam, nem ela, nem seus pais, de forma que suas lembranças eram alimentadas pelas deles, que já estavam muito distantes da realidade em 2022.

 

Assim, tirando as pistas concretas da família que ainda estava na região, tudo seria artimanha do destino. Ele foi generoso!

Meio que sem querer, encontramos o Engenho onde os parentes trabalhavam na juventude. Ele estava sendo anunciado como um futuro loteamento/ condomínio, e a “casa grande” e o engenho de cana seriam mantidos como área de lazer. Um pouco mais de tempo e já não seria o mesmo território...

 

No jogo dos encontros, descobrimos, aleatoriamente, um primo em segundo grau do Pai de Jô que estava ali, num pequeno comércio em frente ao loteamento. A partir daí abriu-se o campo para encontrar locais antes visitados na adolescência e desvelar memórias.

 

Passamos pelas cidades de Pilões/Engenho Santa Fé, Arara, Pirauá/Natuba, João Pessoa e Areia, no litoral e brejo da Paraíba e Macaparana/PE. Também demos uma passadinha em Campina Grande/PB e, fomos surpreendidos por um bloco carnavalesco, o Bloco das Ciganas, de Timbaúba/PE, o que nos rendeu algumas horas de parada por lá.

 

Centralizamos nossa hospedagem na cidade de Areia, eu ficava equidistante dos locais que tínhamos na rota. Uma cidade Turística muito graciosa. Visitamos parentes, territórios outrora frequentados ou habitados por seus pais, o Tio Dudu, sanfoneiro de primeira, famoso na região e mergulhamos um pouco nos seus modos de viver.

 

Finalizamos nossa viagem na cidade de João Pessoa, onde Jô exerceu seu lado cicloativista pela orla e reencontrou com o mar de significado familiar para si.  Uma viagem com muitos encontros significativos para todos nós e muito intenso para Jô Pereira!

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