

SERTÃOMAR
Araçuaí
Tamborzeiros de Araçuaí

Organização comunitária centenária da região de Araçuí/MG, os Tamborzeiros de Araçuaí estão vinculados à Irmandade de N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos de Araçuaí, que tem sua existência comprovada documentalmente desde 1879, mas estima-se que sua existência seja bem mais antiga que isso.
Os Tamborzeiros são o coletivo responsável por prover de música e dança celebração à Nossa Senhora do Rosário e, consequentemente, um movimento de manutenção da tradição afrobrasileira em torno a Festa e da coroação de Reis Negros.
Araçuaí é uma cidade do Médio Jequitinhonha, Minas Gerais, que já esteve classificada como pertencente às regiões mais pobres do mundo. No passado, já foi um forte polo comercial, pois era um porto de escoamento de pedras e minerais preciosos, e o local por onde chegavam mercadorias vindasde outras regiões.
Ao longo dos séculos, toda uma cultura foi moldada, com canções, brincadeiras cantadas, práticas artesanais, e um sem-número de ritos e celebrações do catolicismo popular, dentre as quais estão congado mineiro, onde podemos inserir os Tamborzeiros de Araçuaí. Esse universo cultural tão rico é o espelho de uma organização social que atravessou séculos refletindo as relações socioeconômicas estabelecidas na região, com profundas marcas de desigualdade social.
Em nossa visita, infelizmente, não pudemos vivenciar a Festa para N. Sra. do Rosário, uma vez que o cronograma ligado ao Edital não nos permitiu este ajuste temporal, mas eles nos receberam, num gesto de gentileza, na Igreja de N. Sra. do Rosário de Araçuaí, simulando como seria o rito num dia de festa, ao menos no que diz respeito aos cantos e danças.
Foi um encontro intenso!
A força dos tambores, os pontos cantados com um tom lúdico e sagrado ao mesmo tempo, a corporeidade tão peculiar e tão diversa do que já conhecíamos na relação com as festas em homenagem à Santa no Congado Mineiro – excetuando-se a referência aos tambores do candombe - nos encantou!
Por algumas horas, fomos tomados por este encontro que reunia vários tamborzeiros, de diferentes gêneros e idades, brincando de tocar, cantar e dançar com alegria. E, de maneira inspiradora, as marcas deste encontro chegaram à cena em “SerTÃOmar”.
Para saber mais sobre os Tamborzeiros de Araçuaí e seu universo, sugerimos os seguintes trabalhos:
Os tamborzeiros de Araçuaí (MG) : mediações raciais na Festa do Rosário
Instagram Tamborzeiros de Araçuaí
Para contato com os Tamborzeiros de Araçuaí:
Fone/Whatsapp: Sueli (33) 9977-2103

Maria Lira Marques

Maria Lira Marques, por muitos carinhosamente chamada de D. Lira, é uma artista da cidade de Araçuaí, no Médio Jequitinhonha, Minas Gerais, cujo encontro como Núcleo Pé de Zamba foi de encantamento profundo!
Nascida em 1945, desde os 7 anos modelava o barro com a mãe para criar presépios. Mas desde muito jovem foi expressando no barro seu olhar diferente para a vida e o mundo. A arte de D. Lira é como um portal para um inconsciente cheio de memória e ancestralidade.
Mais tarde, impossibilitada de colher e manusear a argila, desenvolveu a habilidade de pintar como barro, criando obras únicas e impactantes.
Por muito tempo, sua arte foi vista como “estranha”. Mas, já na velhice obteve o reconhecimento de sua trajetória, e finalmente viu sua arte ser projetada no mercado das artes visuais.
Mas, para além desse caminho autoral nas artes, D. Lira foi protagonista de um trabalho longo e minucioso em torno das culturas tradicionais da sua região. Ainda mocinha, ingressou no Coral da Igreja criado pelo Frei Xico, franciscano Holandês que migrou para Araçuaí em 1967 e, com o tempo, estabeleceu com ele uma parceria para recolher cantos, brincadeiras, rezas, benzimentos, receitas e todo tipo de produção cultural tradicional do entorno, tornando-se ela mesma uma biblioteca viva! Foram mais de 2500 fitas cassete, que foram sendo organizadas por Frei Xico para virar o “Dicionário da Religiosidade Popular”.
Essa grandeza humana nos recebeu com um sorriso largo, uma mesa cheia de comidinhas e sucos (ela achava que viriam crianças em idade escolar), e uma disposição imensa para nos falar sobre suas memórias e sabenças. Cantamos, dançamos e suspiramos com aquela presença arrebatadora que ficou morando um pouco dentro de cada um de nós, e que inspirou fortemente a cenografia do espetáculo, entre tantos outros detalhes que ela iluminou.
Para saber mais sobre Maria Lira Marques:
Documentário Maria Lira Marques - Roda dos Bichos
Página no Museu da Pessoa - Maria Lira Marques
Contato: Helia (33) 9934-4981










































